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quarta-feira, junho 30, 2010

Brincadeira Ensaiada

Nunca brinquei tanto de quadrilha! Sabe aquela quadrilha que se forma na hora, assim que um puxador decide que comeu demais e quer brincar com um pouco com a turma que veio à festa? Aquela quadrilha que você vê em qualquer festa e não participa de campeonato nenhum? Essa mesma! Cheia dos alavantus, anarriês, olha-a-chuva, olha-a-cobra, passeio-dos-namorados, etc? Pois! Inscrevi-me nela, na do trabalho, e o responsável inventou que eram necessários ensaios! Acredita? Pois lá estou eu, de segunda a sexta, por suas semanas, trabalhando uma hora a menos "para fazer bonito no dia".

O meu trabalho é, definitivamente, uma das melhores coisas de Brasília.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

E aí? Gostando da cidade?

Faço minhas as palavras de um colega de trabalho: "Brasília é um lugar bom pra se morar, se tiver muito dinheiro. Assim como a maioria dos lugares do planeta Terra."

Quando eu tiver muito dinheiro, espero achar aqui bom. Tem alguma mulher rica e carente por aí?

quinta-feira, novembro 05, 2009

De Modo Algum, Nunca, Jamais

Quando era pequeno, dizia que odiava suco de ameixa. Meu pai me forçou a experimentar e, na hora, disse que era horrível, mas se tornou um dos meus sucos preferidos.

Um tempo atrás, uma namorada me disse: ou você aprende a dançar forró ou a gente termina o namoro. Besta e apaixonado, comecei a aprender a dançar. Dizia que só estava fazendo aquele sacrifício por ela, porque, mais entrevado do que eu, impossível. Contudo, a dança se tornou algo tão legal que hoje faço dança de salão e frequento bailes regularmente.

Esporte sempre foi algo que nunca mereceu qualquer compromisso de minha parte. Entretanto, meu ortopedista disse que eu estava obrigado, o resto dos meus dias na terra, a fazer natação. Lamentei amargamente, claro. Pouco tempo depois, já estava nadando sempre que possível, preferencialmente no mar, no mínimo, 1km.

Na natação, meu professor disse que meu tempo com ele estava com os dias contados e que ele já tinha conversado com a técnica da equipe de competição do estado e era pra lá que eu deveria ir. Eu argumentei que odiava competir e que não tinha espírito competitivo. Agora que terminou o Campeonato Brasileiro de Masters de Natação, a equipe e eu, já estamos super-empolgados para participar do próximo e para ganhar mais medalhas.

Quando estava na faculdade, e mesmo depois de formado, sempre disse que nunca seria advogado, que não tinha jeito para a profissão, etc. É... Pois é... Pura ironia, não?

Só peço a você, meu caro e estimado amigo, por favor, não me obrigue a fazer absolutamente nada que você já sabe que vou odiar, certo?

sábado, julho 18, 2009

Entre 2 e 36 mil quilômetro de altura, não há nada humano

Para trabalhar no setor de telecomunicações, um advogado deve ter noções de engenharia elétrica, economia e contabilidade. No curso de nivelamento proposto, o termo "noções" transformou-se em 2.180 gramas de papel ofício, um pouco mais de 450 páginas ministradas em 80 horas, durante 10 dias.

Na apresentação dos modelos Top-Down/Bottom-Up, um aluno menos atento poderia facilmente sair da órbita satelital ou ficar no ângulo de queda da cabeça, vulgo cochilo. O perigo maior é se sonhar sobre como aplicar o FUST e despertar caindo.

quinta-feira, junho 25, 2009

Prazer em conhecê-lo!

– Já que vamos dividir o quarto esses dias, é bom que possamos nos conhecer antes do curso.
– Não se preocupe, sou uma pessoa de boa convivência, um cara legal.
– Isso todo mundo diz. Eu quero estudar no quarto. Quero silêncio. Como eu sou da filosofia "o que vier é lucro" é mais fácil mostrarmos o lado negativo: sou chato e metódico. E você?
– Misturo-me em qualquer grupo sem expor-me, dificilmente as pessoas entram na minha intimidade; minto facilmente quando me convém; sou hipócrita em relação a credos que não afetam minha vida; é extremamente prazeroso e divertido ser cínico; sou muito vaidoso e minha vaidade reside no que sou, não no que tenho ou visto; gosto de elogio, mas não me incomodo em nada quando sou lisonjeado, provavelmente porque também sou lisonjeador, se me apraz.
– RP? Jornalista?
– Advogado.

sexta-feira, junho 12, 2009

Time Warp

Trabalhar diretamente com órgãos públicos traz certas surpresas. Em Cabedelo, a quarta-feira era feriado local, na quinta seria feriado nacional e, por isso, acharam por bem enforcar a sexta-feira para que todos, menos eu, ficassem felizes com um feriadão de cinco dias.

Se eles podem ter 5 dias de feriado, posso desviar da rota por 5 minutos e tomar um café. Existe um ótimo café no Shopping, numa área mais tranquila, longe da agitação da praça da alimentação. Lá eu fui e, estranhamente, muitos outros decidiram também ir. Quase não havia mesa livre. Seriam todos cabedelenses?

Não passou muito tempo, mais ou menos entre o terceiro e o quarto gole, uma senhora pede-me licença para sentar à mesa. Justificável, em face da lotação completamente desproporcional para aquela hora da manhã. Anui antes que ela terminasse a frase. Apenas quando ela sentou que pude reconhecê-la. Fazia 25 anos desde a última vez.

Minha antiga professora de inglês, por quem eu era completamente apaixonado, não havia perdido nenhuma fração do seu charme naqueles longos anos. Sandra continuava com olhos e sorrisos que penetravam na minha alma. E ainda me fazia babar. Disse meu nome apenas uma vez, só para que eu tivesse certeza que foi ela que me reconheceu à primeira vista. Dali adiante, eu era o "Honey" de 25 anos atrás, mas ela me corrigiu nas três vezes que a chamei de professora. "Sandra ou Sandrinha", puro e simples, soava estranho.

Será que ela tinha noção do que ela significava naquele passado longínquo? Será que eu tinha noção do que ela ainda representava para mim? Questionamentos esses que eu não ousaria indagar nem após as trocas de números de telefone.

Passaram-se duas xícaras grandes e foi pouco para atualizarmos um da vida do outro. Quem sabe no almoço, na próxima segunda-feira, ela me diga como conseguiu romper as dimensões do espaço-tempo.

sábado, maio 23, 2009

Açúcar ou Adoçante?

Perto a trigésima volta ao redor do sol, ela percebera que tudo precisava de um "Plano B", na frente da atendente do Café Aurora.

Após recebermos o pedido, parecia que estávamos sozinhos no Café. Lambendo o ganache da colher como quem tinha metade da idade, falava dos planos frustrados ao tom de piada. Solidarizei-me. Já saí do "Plano A" algumas poucas (milhares de) vezes. E do "Plano B". E do "C"... A depender da área da vida, já zerei o contador de planos.

Quem faz planos tem que aprender a fazê-los livres, para mudar conforme o vento. Eu faço planos, sou um planador.

Ela disse que era o acaso e, no ocaso daquele dia, no meio do último biscoito, não tinha planos para a noite. Mentira.

quarta-feira, abril 01, 2009

RIP

Este blog morreu.

Novas postagens hipotética e possivelmente poderão existir aqui.

Grato pela atenção.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Deadline

O melhor do "prazo" (além de inibir o sono e o apetite) é que te faz realizar em 24h o que não se fez em uma semana.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Adrenalina

...por isso, a afirmação de Borges faz todo o sentido. Um conjunto de más ações vão, em algum momento no tempo, causar um bem, se já não foram, elas mesmas, consequência de uma ou mais ações aparentemente positivas. Eu sei que você é espírita e não estou querendo implicar com a sua religião, mas, suponto que existam imortais, tempo não é problema – a não ser que a Terra exploda ou venha uma Era do Gelo –, certo? Então... veja a Lei Maria da Penha – que para mim é questionável, mas para você é excelente – é resultado de uma infinidade de más ações no passado. Não se pode questionar que ela é boa em muitos aspectos, mas mesmo nesses aspectos, o que me garante que ela não vai acabar sendo usada como o CDC, que a princípio era excelente e hoje é usado por muitos consumidores como máquina do dano moral? Como estava dizendo, esse ciclo de bem, que gera o mal, que gera o bem, que gera o mal é infinito. Não tem fim. Do ponto de vista humano, estamos sempre ligados a essa dicotomia que, segundo Borges, acabaria por anular o sentimento de piedade, e, principalmente, o valor de bem e mal. Eu acho que, nesse caso, ele viajou. Mas, tudo bem, respeito a sua religião e a loucura dele. Afinal de contas, louco por louco tem o vampiro Lestat, que sempre achou que a vida era aqui, e viu o que aconteceu com ele depois que se deu conta que estava errado. Por falar em loucura, A História da Loucura, de Foucault, está em promoção. Depois de ler, você pode se perguntar se em algum momento histórico, ou atual, seu bilhete à Nau dos Loucos não estaria garantido e, talvez, até questionar se sua sorte é boa ou má por estar aqui, fora do internamento, tendo em mente o que Borges disse...


Não sei o que é pior: se o abismal contrate entre a radiante excitação de quem fala e a funesta inércia de quem ouve; ou a expressão de absoluta incompreensão do pensamento alheio; ou a refinadíssima capacidade de deixar a pessoa profundamente constrangida, sem graça, com a sensação que de ter sido, no mínimo, inconveniente.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Planilha

Pondo na ponta do lápis, motivos não faltam para ficar apertado nos próximos dias:
– Dois IPTUs para pagar, cota única, com 20% de desconto;
– IPVA e seguro do carro;
– Matrícula, uniforme e material escolar dos guris;
– A fatura salgada das parcelas dos cartões que incluem desde os biquínis para a patroa à presentes para toda a família;
– Academia, Natação e, se sobrar, Dança de Salão.

O Décimo-Terceiro deveria ser dado em 15 de Janeiro.

...e já vem chegando abril com o IRPF...

terça-feira, janeiro 27, 2009

São Francisco de Assis

Quando se entra no ritmo das coisas, quando tudo torna-se familiar, parece que nada consegue tirar-nos do sério. Parece.

Hoje, como de costume, acordei antes do alarme, eram 5:40. Vi a tábua das marés e fui fazer o meu percurso. Na calçada à beira-mar, comecei a alongar. Quando me levantei, dei de cara com uma cadela, sentada, encarando-me com um palmo de língua para fora. Cumprimentei-a amistosamente. A essa hora do dia, a galera tem, em geral, pelo menos uns vinte anos a mais que eu. E, em geral, gostam de ser cumprimentados, vai ver que foi por isso que veio o cumprimento tão naturalmente.

Comecei a correr na areia fofa, naquele ritmo lento como se dá. O corpo ainda estava começando a embalar. O meu segredo é olhar sempre para frente, respirando, acenando para os conhecidos e logo vou vencendo a preguiça. Lá nos 700 metros, um senhor que caminhava no sentido contrário, vindo pela esquerda, puxou vigorosamente sua senhora pelo braço e passaram à minha direita, o que me fez perceber minha silenciosa companheira canina. Firme e forte, a danada trotava na minha velocidade. Fingi que não estava comigo. Na marca de 1000 metros há um quebra-mar. dali para frente a faixa de areia é batida, bem dura e plana, independente da maré. A cachorra continuou seguindo-me. Cheguei aos 2000 metros. Parei. Alonguei-me calmamente, na esperança de cansar minha acompanhante. Entretanto, ela pacientemente esperou que eu estivesse pronto para voltar e seguiu-me por mais 1000 metros. Nesse ponto, de volta ao quebra-mar, os últimos 1000 metros, é o trecho que volto nadando. Coloquei os óculos e comecei a entrar na água. Deu até pena, confesso. Ela andava para um lado e para o outro sem se aventurar a molhar mais do que as patas. O que podia ser feito? Aquele era meu percurso habitual, não estava sendo astuto de modo algum.

Com a maré ainda cheia, normalmente sou obrigado a afastar-me da costa ainda mais do que o costume por causa da arrebentação. Não chega a assustar, por essas bandas não há muito tubarão. Só, vez por outra, aparece um caçãozinho. Assim que passei dos corais e cheguei aonde as águas são mais profundas, uma sombra passou por baixo. Não dava para ter muito ideia de profundidade por ali. Continuei nadando. Pouco tempo depois passou novamente. Se era outra ou a mesma, não dava para perceber. A água estava turva e os óculos estavam um pouco embaçados. O diabo que iria parar ali para perguntar e esclarecer o mistério. Vários minutos depois, passou uma terceira vez. Daí fiquei mais tranquilo. Claro, se era para ter acontecido alguma coisa, tinha que ter sido lá atrás. E se fossem três ou duas criaturas, certamente, não seria cação, muito menos arraia. Quase no final do percurso, pouco menos de dois metros à minha direita, o que parecia uma rocha emergia, revelando o mistério: uma tartaruga marinha subia para respirar.

Não sei se era apenas uma ou um casal, mas tive a impressão que tive companhia naqueles 1000 metros pela água. Devia ser um conluio com a cadela que abandonei.

Acho que vou prestar mais cuidado com minhas orações. Quando pedir uma companheira, vou certificar-me de especificar que deve ser uma mulher da minha espécie.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

True Color

Depois de meses arrastando a reforma do escritório, finalmente chegamos à pintura. Rubens queria uma parede com textura, Santiago optava pelo que fosse mais barato e eu só desejava que aquilo tudo terminasse. Fechamos com o pintor. Ele sugeriu branco gelo para as paredes e branco para o teto, o que para mim era quase a mesma coisa, mas, "vá lá", ele era o profissional e devia entender melhor que eu. Noutro momento escolheríamos a cor da textura.

Até ali, nenhuma dificuldade. Apesar da minha visão resumir-se a 16 cores, nunca tinha enfrentado problemas para categorizar qualquer pigmentação entre preto, branco, cinza, azul, vermelho, amarelo, laranja, verde, roxo, marrom, rosa, vinho, bege, ouro, prata e bronze. E chegar numa loja com uma lista de material com os nomes das cores também nunca complicou meu dia.

Após latões de massa corrida e galões de tinta branca, chegou o momento de escolher a tal tinta da textura. Santiago estava numa cidade vizinha despachando com o juiz. Rubens confiava no gosto de Josias e estava bastante ocupado. Acabou sobrando para aquele que tinha mais pressa. Levei-o e deixei que escolhesse uma cor que combinasse com o ambiente. Eu pechinchei o preço, um que combinasse com meu bolso.

Tarde de sábado, quando quase todo o comércio está fechado, minha esposa liga, desesperada, convocando-me, urgentemente, ao escritório com os demais sócios, a tinta da textura tinha ficado horrível. Um escritório de três marmanjos não poderia ser pintado de pêssego, ou arreia ou palha, ou sei lá qual cor ela disse, que nada mais passava de algum tom entre amarelo e laranja, e que para mim era amarelo. Ela e a esposa de Santiago decidiram fiscalizar a obra justo no último dia de pintura.

Numa situação como aquela, no tom usado, com a voz da outra no fundo, não havia muitas opções: ou atendia ao chamado, ainda que demorasse um pouco para sequestrar os outros dois; ou sofreria uma retaliação desproporcional por algumas frias noites. Noventa minutos depois, estávamos no escritório, enquanto as fiscais esperavam no café, no térreo.

– Lucas, qual o problema?
– Vocês que me digam, Santiago.
– Por mim normal.
– Eu não falei que o pintor ia escolher direito?
– Rubens, as mulheres detestaram isso aí. Disseram que estava feminino.
– E isso é rosa? Pra mim é um amarelo puxado prum laranja.
– Santiago veste rosa e quem compra a roupa dele é Michele.
– Lucas, minha mulher não atende por "Fê-Fê". Prefiro os protestos por não acompanhá-la nas compras às reclamações de quando compro algo "feio", "cafona" ou "que não combina com nada que eu tenha".
– Não aguenta uma piada, rapaz? Então, o que fazemos? Pintamos tudo de branco?
– Daí tira o destaque, né? Se a gente queria uma textura tinha que ser com outra cor.
– Você queria.

Moral da história: sempre leve sua esposa para escolher as tintas do seu escritório. Porque não importa quanta saliva seja gasta ou promessas de comprar uma mobília máscula e arrojada, nada disso evitará uma cara bicuda e uma greve injusta quando ela ouvir que "não viu nada demais".

quarta-feira, novembro 26, 2008

Uma noite ela me disse "quero me apaixonar"

Número desconhecido chamando. Numa hora daquelas, só poderia significar duas coisas: ou um cliente em apuros, ou engano. Torcendo para que fosse a primeira hipótese, que também significava dinheiro, atendeu.

Errou.

Ele reconheceu-a imediatamente na saudação: um "olá!" festivo de três segundos de duração, e que se seguiria com desculpas por estar ligando àquela hora e por não ter avisado-o que mudara o número. Desculpas que era apenas o cumprimento de convenções sociais. Tudo que ela queria, era saber se ele estava disponível e revê-lo.

A partir dali, não haveria hipóteses, nem erros. Já sabia como a conversa seguiria e aonde terminaria.

Era sempre assim, de tempos em tempos, nesses últimos nove anos. Nada mudou quando ela teve Léo, nem mudará quando ele contar que é pai de Bia.

sexta-feira, outubro 31, 2008

De acordo

Milhares eram os fios ao vento, dançavam nas correntes de ar, batendo asas na maresia.
Ariscos como a dona – seriam eles ou ambos que me seduziam ao seu lado?
Recatados em nada os cabelos, ela sim, ou não, conforme a maré, ou o dia, ou a noite.
Imagem pitoresca que não me sai da memória:
Andando na praia, deliciando-se com a brisa e com o sol das oito já quente.
Naquele instante, só havia ela, ou seria o caso de uma visão seletiva... não sei.
Ali só havia o mar, um calçadão de areia, uma película d'água cobrindo-o e seus pés neste tapete desfilando.

Tem horas que o mar, o sol, a praia encantam-me os olhos.
Esta não era nenhuma dessas horas.

Caminhei com ela, sem sentir a distância
Um momento, sem a dimensão do tempo, cheio de conversas.
Rimos como nos primeiros dias, olhava-a como naquela festa.
Todo dia é bom para se apaixonar, não é?
O bom é que seja pela mesma pessoa, não?

sexta-feira, setembro 19, 2008

Entre borboletas e golfinhos

– Boa tarde.
– Pois não?
– Queria ter informações sobre as aulas de natação.
– É para o senhor? Sabe nadar pelo menos três estilos?
– Bem... Eu sei nadar dois: chumbinho e cachorrinho.
– O senhor vai ter que vir um dia para fazer uma aula de teste.
– Brincadeira minha. Precisa não. Eu sei nadar os quatro estilos, sim.
– O senhor vai ter que fazer o teste. Só depois vamos saber se lhe colocamos com os iniciantes ou com a turma avançada.


Nota pessoal: Se a pessoa tem cara de chata, é possível que ela realmente seja chata – melhor evitar piadas.

sexta-feira, agosto 08, 2008

A vida, o bolo e tudo mais

Já aprendi que por nada no universo devo atirar a toalha, todavia confesso que estou muito intrigado com esse costume terreno do aniversário.

Falando em termos locais, independente de que momento a pessoa tenha nascido, a cada volta que seu planeta natal dá em torno do sol (o que acontece em aproximadamente 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos) é, nesse dia, celebrado o aniversário da pessoa. Vale como data festiva todo o período de 24 horas que engloba o instante do nascimento, pouco importa a posição espacial do planeta. Aliás, há quem que até se importe com essa configuração, mas não como deveria. De fato, tenho que o que se comemora é o dia, no caso de hoje, seria 08/08/08.

O que se celebra é outro problema. Duas frases comuns são "feliz aniversário" e "parabéns pra você". Ambas são carentes de um significado que revele esse mistério do festejo.

Aparentemente, parecem ser congratulações por se ter completado mais um ano de vida. Algo como "meus parabéns, você conseguiu escapar da morte por mais um ano inteiro". Pela minha experiência, tenho uma vaga idéia de quantos perigos um indivíduo pode ter escapado e vencer essa perseguição da morte pode ser considerada uma vitória, motivo de muitos parabéns. Entretanto, cá comigo, o fato de sobreviver não é exatamente um motivo para parabenizar. Não consigo imaginar estar nos escombros de uma nave que perdeu metade da tripulação dando meus sinceros parabéns aos sobreviventes por essa proeza de estar vivo.

Pensando de outro modo, lembro que o que se seguem às frases típicas são desejos de dias melhores, o que poderia reforçar o pensamento anterior, mas também podem significar que o que se comemora é a possibilidade de ter, esperançosamente, mais um ano de vida e mais uma chance de fazer a coisa certa. Nesse caso, seria como "parabéns, você ganhou uma nova chance, desejo que você acerte dessa vez". Tudo bem que as pessoas daqui erram bastante, contudo não creio que seja bom lembrar que no último período não houve uma plenitude de sucessos. E quando houver? Será que vão acabar com a vida dele no próximo aniversário? Acredito que não. Afinal, os daqui nunca estão plenamente satisfeitos, mesmo atingindo sua plenitude, não percebem. Imagino que ouvir todo ano um "tente melhor na próxima" deveria ser algo frustrante e, aparentemente, não é (isso, se compreendido dessa maneira).

Talvez, todas essas palavras sejam códigos secretos ou não carregam, em si, qualquer significado real. Ou, talvez, havia um sentido no passado, porém pode ter sido esquecido com o decorrer dos anos da mesma forma que muitas das saudações como "Olá, como vai? / Vou bem, e você? / Vou bem, também." (a tréplica é quase sempre ignorada se pelo menos um dos interlocutores estiver com pressa). E, carentes de sentido, só permanecem presentes como pretexto para fazer festa e receber agrados naquele dia do ano solar.

terça-feira, abril 01, 2008

Antes que esse dia termine...

Estava refletindo no tanto (ou tão pouco) que conquistei até aqui e nas (equivocadas) atitudes que tomei até então. Dos meus erros, tirei (o que talvez tenha em milhares de livros de auto-ajuda por aí):

  • Ninguém é feliz indo contra a própria natureza;
  • Parar num estágio da vida é podar sua própria alma;
  • Satisfação pessoal não se encontra em receita de bolo;
  • A responsabilidade do seu destino é indelegável.
Não quero nem saber. Que se dane o resto. Que fique tudo de ponta-cabeça. Vou mudar a partir de já:
  1. Expurgar o Linux do meu computador;
  2. Parar de me dividir entre Comércio, Direito e Concurso para investir 100% na empresa;
  3. Voltar para Exatas: terminar Elétrica e fazer Computação quando der;
  4. Tirar férias de 30 dias ainda esse ano.

segunda-feira, março 10, 2008

FreeRice

A idéia é interessante:
- Usar um jogo instigante e educativo para atrair visitantes;
- Usar os visitantes para atrair recursos de patrocinadores;
- Usar os recursos de patrocinadores para comprar arroz;
- Doar o arroz para o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas.

Visite Free Rice e tenha um bom jogo.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Uma missiva aos meus amados

Dizem que a cada sete anos uma pessoa normal entra em crise, assim como os ciclos de crises de um casal. Apesar de não crer suficientemente na minha normalidade, cabe a mim discordar. Há crises que me acompanharam por anos a fio. Há outras que voltavam a assombrar-me quando pensara tê-las resolvido. Todavia, perto do meu centenário tais discussões são irrelevantes. Aliás, vivo o revés daquele que fui, pois todo evento era de absoluta gravidade. Hoje, meus problemas são absurdamente pequenos e qualquer alegria inunda meu espírito de riso. Por isso, ao gosto do povo, contradito-me com essa coletânea de pensamentos desses ciclos de todo mundo.

7 anos: "Por que é que tem que ser assim?"
14 anos: "Queria que eu não tivesse nascido. Ninguém me entende."
21 anos: "Eu não sei nada! O que é que vou fazer da minha vida?"
28 anos: "Eu não tenho nada. O que é que eu construí até agora?"
35 anos: "Não tem mais pra onde correr. Será que eu vou morrer fazendo isso?"
42 anos: "Preciso recuperar minha juventude. Vou provar que ainda dou no couro."
49 anos: "Não entendo essas cabeças de hoje. Não adianta falar nada que eles não escutam."
56 anos: "Quanta besteira que eu já fiz na vida. Agora é tarde, o tempo não volta."
63 anos: "Será que é só pra isso que eu sirvo? Pra corrigir as burradas de vocês?"
70 anos: "Aposentei-me pra virar babá."
77 anos: "Cansado..."
84 anos: "É claro que eu namoro! Ainda não morri, não!"
91 anos: "Todos os meus amigos já se foram..."
98 anos: "É quem esse? Meu neto?"

Saudades de todos.

Do vosso,
"Paizinho"