Mostrando postagens com marcador note. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador note. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, julho 30, 2010

Turista de Final de Semana

Caldas Novas, Pirenópolis, Goiás Velho, Goiânia, Vila São Jorge (Alto Paraíso) são alguns dos lugares onde é possível fazer ecoturismo ou turismo histórico que já pude ir e que quero voltar.

O que acho mais difícil nem é ir. O problemático mesmo é ter referência de quais lugares são bons pra ir. Se for bom, num raio de 5 horas de viagem, eu dirijo pra qualquer lugar.

"Mas não me deixe sentar na poltrona. No dia de domingo, domingo!"

Marcelo Yuka

quarta-feira, junho 30, 2010

Brincadeira Ensaiada

Nunca brinquei tanto de quadrilha! Sabe aquela quadrilha que se forma na hora, assim que um puxador decide que comeu demais e quer brincar com um pouco com a turma que veio à festa? Aquela quadrilha que você vê em qualquer festa e não participa de campeonato nenhum? Essa mesma! Cheia dos alavantus, anarriês, olha-a-chuva, olha-a-cobra, passeio-dos-namorados, etc? Pois! Inscrevi-me nela, na do trabalho, e o responsável inventou que eram necessários ensaios! Acredita? Pois lá estou eu, de segunda a sexta, por suas semanas, trabalhando uma hora a menos "para fazer bonito no dia".

O meu trabalho é, definitivamente, uma das melhores coisas de Brasília.

quinta-feira, maio 06, 2010

O maior São João do mundo é no DF

Em Brasília, já vemos as movimentações que, em Campina Grande, só começariam em 1º de junho e perdurariam esse mês inteiro. Inteligentemente, as quermesses das igrejas católicas daqui não ocorrem no mesmo dia, logo, não existe competição por paroquianos e o fiel pode fazer o circuito de quermesses sem se preocupar com uma ou outra igreja que ficará desamparada. Talvez a única preocupação será seu peso.

Por consequência de existir mais de 4 ou 8 igrejas, nas terras candangas não existem apenas "festas juninas". Há espaço para as "mainas" e as "julhinas".

Se vierem para cá, meus amigos, muito cuidado com as pamonhas! Essas iguarias podem ser salgadas! E se forem doces, podem ainda conter recheios de elementos estranhos capazes de assombrar um coração nordestino, tais como salsicha, amendoim ou queijo.

terça-feira, abril 06, 2010

Abuso

Parece brincadeira. Nunca pensei que aconteceria comigo: estou com abuso de computador. Só consigo usá-lo quase exclusivamente para o trabalho. Será que estou virando uma pessoa normal?

domingo, março 21, 2010

Nota de Falecimento

É com muito pesar que comunico a morte do meu Palm Tungsten E2, um dos melhores gadgets que tive até hoje. E, com ele, foi-se boa parte da minha liberdade e alguns aplicativos insubstituíveis: SuLite One e Space War.

Certamente um dia triste.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

E aí? Gostando da cidade?

Faço minhas as palavras de um colega de trabalho: "Brasília é um lugar bom pra se morar, se tiver muito dinheiro. Assim como a maioria dos lugares do planeta Terra."

Quando eu tiver muito dinheiro, espero achar aqui bom. Tem alguma mulher rica e carente por aí?

sábado, janeiro 30, 2010

Br Weather

Antes do DF acordar meu trabalho começa, antes do fim da noite, mas, ainda antes mim, as tormentas diárias lavam sem sossego essa terra.

Brasília sem carro é um tormento para qualquer um.

Mas o que mais me atormenta é a falta do mar.

Na sua extrema educação, as pessoas ao meu redor continuam tão fechadas quanto as nuvens acima.

domingo, janeiro 17, 2010

Pobreza e Compartilhamento

O primeiro dia de trabalho do ano começou com a seguinte manchete: "Hábito nacional – Quase 70% dos internautas brasileiros compartilham conteúdo" (Teletime News, segunda-feira, 4 de janeiro de 2010). Descontados os excessos jornalísticos da minha leitura diária obrigatória e sem tocar num assunto muito mais delicado, as restrições ao direito de compartilhar, é um texto que traz alguma reflexão.

A notícia trata do compartilhamento de forma bastante genérica. Junta compartilhamento de fotos, áudio e vídeo num mesmo bolo: "arquivos". Ampliando, finalmente, para algo ainda mais genérico: "conteúdo on-line".

Acredito que as razões pelas quais uma pessoa compartilha uma foto são completamente diferentes do compartilhamento de um arquivo de áudio ou de vídeo, salvo se tratar de uma gravação pessoal, um vídeo familiar. Ainda assim, percebo que pode existir, naturalmente, um intuito diferente. Sem mencionar no papel social que cada meio desempenha: Orkut, MSN e e-mails (apenas para citar os canais mencionados na pesquisa).

Existe relação entre a pobreza e o compartilhamento? Certamente. Todavia, acredito que o compartilhamento é reflexo da solidariedade que é comum entre pessoas que vivenciam a necessidade, ainda que o sentimento de solidariedade, em si, não se restrinja a poder aquisitivo. Creio que é neste ponto onde a notícia comete o maior pecado. Dentre as culturas regionais que conheço, não consigo ver um povo mais acolhedor, mais solidário, mais hospitaleiro, que não teme em abrir a casa e a vida do que o nordestino. É muito mais uma questão cultural do que econômica o resultado obtido na pesquisa.

Outro dia, conversando com uma colega de trabalho, ela estava compartilhando de uma dificuldade dela: viajarão ela e a filha e não retornarão no dia que chegará o material escolar da filha, só virão no final de semana e a filha estará sem material e sem uniforme no primeiro dia de aula. Perguntei se ela não poderia pedir a uma amiga para fazer a compra e ela me olhou como quem estava falando um absurdo. Daí, complementei: tenho uma dezena de amigos que fariam isso, tranquilamente, por mim. Uma pena que todos estão a mais de 2 mil quilômetros daqui.

quinta-feira, novembro 05, 2009

De Modo Algum, Nunca, Jamais

Quando era pequeno, dizia que odiava suco de ameixa. Meu pai me forçou a experimentar e, na hora, disse que era horrível, mas se tornou um dos meus sucos preferidos.

Um tempo atrás, uma namorada me disse: ou você aprende a dançar forró ou a gente termina o namoro. Besta e apaixonado, comecei a aprender a dançar. Dizia que só estava fazendo aquele sacrifício por ela, porque, mais entrevado do que eu, impossível. Contudo, a dança se tornou algo tão legal que hoje faço dança de salão e frequento bailes regularmente.

Esporte sempre foi algo que nunca mereceu qualquer compromisso de minha parte. Entretanto, meu ortopedista disse que eu estava obrigado, o resto dos meus dias na terra, a fazer natação. Lamentei amargamente, claro. Pouco tempo depois, já estava nadando sempre que possível, preferencialmente no mar, no mínimo, 1km.

Na natação, meu professor disse que meu tempo com ele estava com os dias contados e que ele já tinha conversado com a técnica da equipe de competição do estado e era pra lá que eu deveria ir. Eu argumentei que odiava competir e que não tinha espírito competitivo. Agora que terminou o Campeonato Brasileiro de Masters de Natação, a equipe e eu, já estamos super-empolgados para participar do próximo e para ganhar mais medalhas.

Quando estava na faculdade, e mesmo depois de formado, sempre disse que nunca seria advogado, que não tinha jeito para a profissão, etc. É... Pois é... Pura ironia, não?

Só peço a você, meu caro e estimado amigo, por favor, não me obrigue a fazer absolutamente nada que você já sabe que vou odiar, certo?

sexta-feira, outubro 30, 2009

Transparente

Amiga, perdoe minha masculinidade.

Amo cada hora que passo contigo, a troca de confidências, as caminhadas na areia, a contemplação do céu, o nascimento da lua, a leveza com que danças comigo. Fico ansioso para te contar as as novidades e as bobagens. Divirto-me com as suas histórias, com as suas fantasias, com seus desmantelos e confusões. Considero que és o tipo de pessoa que é companheira para a vida toda. Mulher que é dádiva para o homem.

Mas (sempre tem um "mas") não sinto o mesmo que sentes por mim. Não me entenda mal. Eu queria sentir, mas sou escravo da minha masculinidade, dos meus olhos, para ser específico.

Hoje entendo o conflito de Brás Cubas. És minha Eugênia. Meus olhos não veem a beleza que tens. Proíbem-me de desejar-te.

sábado, julho 18, 2009

Entre 2 e 36 mil quilômetro de altura, não há nada humano

Para trabalhar no setor de telecomunicações, um advogado deve ter noções de engenharia elétrica, economia e contabilidade. No curso de nivelamento proposto, o termo "noções" transformou-se em 2.180 gramas de papel ofício, um pouco mais de 450 páginas ministradas em 80 horas, durante 10 dias.

Na apresentação dos modelos Top-Down/Bottom-Up, um aluno menos atento poderia facilmente sair da órbita satelital ou ficar no ângulo de queda da cabeça, vulgo cochilo. O perigo maior é se sonhar sobre como aplicar o FUST e despertar caindo.

terça-feira, maio 19, 2009

Please, Donate Life

Desde que me entendo por gente, sempre quis doar o que pudesse aproveitar do material genético que trago comigo. Dizia à minha família: "não quero ser comida de verme, assim que eu morrer, podem doar o que se aproveitar. Quanto ao resto, botem fogo para não gastarem com sei lá quantos quilos de carne dentro de um caixão". Tinha esse tipo de consciência sem nem ter noção dos custos com os serviços funerários ou mesmo com a cremação.

Eu simplesmente não conseguia conceber qualquer noção de respeito a um cadáver, ainda que tivesse visto e participado do enterro, naquela época, de minha bisavó e avô maternos. Obviamente eu era capaz de respeitar a dor e o momento dessas cerimônias e senti a falta de meu avô e das brincadeiras que tivemos, mas aquele que estava no caixão, com algodão nos ouvidos e nariz, definitivamente, não era mais meu avô. Depois de implicarem tanto comigo, deixei essas conversas de lado.

Em mil novecentos e cocada, houve uma campanha da Cruz Vermelha na universidade onde eu estudava para a doação de sangue. Acredite, não é só aqui no Brasil que é difícil encontrar doador. Lá fui eu:
– Hi, I want to donate blood.
– Good morning! It's good to hear that! Come with me, please... You're not from here, are you? So, where're you from?
– Brasília, District Capital of Brazil.
– Oh! You're a foreign student. Nice! Let me see the chart here. Hm... Brazil... I'm sorry, you can't donate. Brazil has malaria.
– Don't worry! I never had it. Malaria can be found in the Rain Forest. I live in "dry land". Paraíba, the state where I live in, is far from Amazônia. I've never been any close from that disease.
– I'm sorry. Your country didn't eradicate malaria. You cannot donate.

Para quem tem renite alérgica, estar livre de qualquer funga-funga é algo que deve ser bem explorado. Quem tem esse tipo de coisa, nunca sabe se está gripado, ou numa crise alérgica, ou com renite, ou se apenas mexeu em algo que não devia. Miraculosamente, esta mazela tirou férias sabáticas das minhas vias aéreas já faz quase um ano e, recentemente, ouvi que eram necessários doadores. Dezessete anos depois, lá fui eu, de novo:
– Cirurgias? Além dessas simples de pontos em cortes e de um pino que coloquei, fiz tireoidectomia parcial.
– E você fez essa cirurgia por quê?
– Cresceu o nódulo e disseram que era pra remover. Mas era benigno e não alterava em nada na minha vida. Não preciso tomar remédios nem nada.
– Você teve hiper ou hipotireoidismo? Sabe qual era o nome do nódulo?
– Nenhum dos dois. Meus níveis de hormônios sempre estiveram OK. Agora, o nome? Sei não. "Fernando"!? Ele veio e foi e nunca soube o nome dele.
– Adenoma, Bócio, Hashimoto, Cisto, Riedel, alguns desses nomes lhe soa familiar?
– Eu só soube que era um nódulo e não deveria me preocupar, bastava tirá-lo.
– Se você não sabe o que é, eu também não sei. Quem sabe não era autoimune? Não posso deixar que você doe, posso colocá-lo como inapto definitivo...
– Calma! Eu posso trazer a documentação que tenho e você pode ver se posso ou não doar.
– Tudo bem, mas você também pode consultar seu endocrinologista.
– Ele já se aposentou. Teria que procurar outro. Vou juntar os exames que tenho e mostrarei ao senhor.

Cinco dias depois, venho com a documentação. Ao doar sangue, a pessoa não pode fazer atividade física por 12 horas. Por isso, só hoje pude vir.
– Bom dia, vim na quinta passada para doar, mas o médico me pediu que eu trouxesse uns exames a fim de verificar se posso ou não doar sangue.
– Bom dia, que bom que você veio doar! Sabe que isso é um gesto de amor e solidariedade? Sua identidade, por favor... Senhor, aqui diz que o senhor está inapto até 2036. O senhor poderia me acompanhar até o serviço social?

Minha sorte foi descobrir, no Hemocentro, uma conhecida de infância e, graças a Deus, era a médica do dia. Após ver meus exames e verificar que não há nada que me impeça de doar, fez a gentileza de acompanhar-me por todas as salas e terminais tentando desbloquear meu cadastro – a única coisa que, naquele momento, estava impedindo a emissão da abertura do meu protocolo para a doação. Uma hora depois, o analista do NPD garantiu que, à tarde, meu nome estaria liberado, o que significava que eu não poderia doar hoje e como minha amiga só trabalha às terças e sextas, o melhor era aguardar mais uma semana.

Espero que a pessoa em favor de quem irei – esperançosamente – doar sangue sobreviva até lá.


Mais informações sobre o assunto, clique aqui.

quarta-feira, maio 06, 2009

Tweets

A mentira "quase" vira verdade. Elegi Abril, "o mês mais pesado do ano", principalmente por causa dos feriados – onde nada funciona, só eu.

Assim como o médico, é impossível de furtar-se de consultas gratuitas o advogado. Problema é ser tomado por Defensor Público dos conhecidos.

"A imensidão de processos por dano moral transformou o dano num danoninho." – Argumento da Conciliadora do Procon para fechar um acordo.

Senhorita autora, não adianta falar com essa voz ao telefone. O que foi acordado em audiência é o que será cumprido.

Não, senhor, 20% não é um teto aos honorários. O senhor também não trabalharia para alguém por 6 ou 12 meses para receber apenas 100 reais.

Finalmente encontrei um bom argumento contra quem coloca culpa de ser o que é na carga genética, na Veja, quem diria.

"Eu sei que a pista está bloqueada. É só tirar afastar o bloqueio que meu carro passa." – Bom saber disso, nunca mais lhe peço carona.

Senhor fiscal, o detector de metais está apitando apenas por causa do meu pino. Não tenho como removê-lo para entrar no banheiro.

O trânsito sempre está livre para quem não tem pressa. E sempre tem milhares de motoristas sem pressa na minha frente. É fato.

A grande maioria da população brasileira jamais saberá o que é ser responsável pelo IRPF da família (pai, mãe e irmãos), principalmente dum ano que envolveu bens derivados de doações, herança e antecipação da legítima, interferindo nas declarações de um pouco mais de duas dezenas de outros parentes, discussões com dois contadores e visitas à Receita Federal. Fechar tudo com todos os declarantes faltando 29 horas para o fim do prazo, enviar e imprimir tudo às 2:40 da madrugada do dia 30 promoveram um estresse que nunca caberia em 140 caracteres.

Nunca queira patrocinar a causa de um autor contra cinco réus, sozinho. Analisar quase 40 documentos e preliminares múltiplas é fadigante.

Qualquer concursado perde 90% do seu QI quando começa a trabalhar num cartório. Só pode ser. Definitivamente é uma hipótese a considerar.

Depois que se aprende a olhar como camaleão, não há mais estresse no caminho de volta pra casa. Filmes em partes e episódios tranquilizam.

Preciso voltar a estudar. Não posso ir ao cinema num domingo, ou a uma peça de teatro. E nem sonhar em ir para um show pagando inteira.

Blog? O que ser isso? MSN? Gtalk? Feeds? Livros? Estou precisando de um pouco de abobrinha e cultura na minha dieta.

Nem lembro a quanto tempo a ideia de Borges martela-me a pedir por um post: "porque a tradição é fruto da memória e do esquecimento". Ei-lo.

Certo amigo disse que muito trabalho gerava posts curtos e interessantes. Discordo completamente.

quarta-feira, abril 01, 2009

RIP

Este blog morreu.

Novas postagens hipotética e possivelmente poderão existir aqui.

Grato pela atenção.

terça-feira, março 10, 2009

Nietzsche, Nicht!

"És escravo? Então não podes ser amigo.
És tirano? Então não podes ter amigos.
Há demasiado tempo que se ocultavam na mulher um escravo e um tirano. Por isso a mulher ainda não é capaz de amizade; apenas conhece o amor.
No amor da mulher há injustiça e cegueira para tudo quanto não ama. E mesmo o amor, reflexo da mulher, oculta sempre, a par da luz, a surpresa, o raio da noite.
A mulher ainda não é capaz de amizade: as mulheres continuam sendo gatas e pássaros. Ou, melhor, vacas.
A mulher ainda não é capaz de amizade. Mas dizei-me vós homens: qual de vós outros é, porventura, capaz de amizade?
"
Trecho retirado de "Do Amigo" em "Assim falou Zaratustra", por Friedrich Nietzsche.



Da escravidão e da tirania inerente ao ser humano em sua relação amorosa, poderia dizer que existe a mesma essência tanto num quanto no outro sexo. No amor não há justiça, senão diante do quase impossível fato de se estar diante de pessoas que conseguimos amar na mesma forma e intensidade. Mas, Nietzsche, por que fostes tão burro ao igualar os sexos na incapacidade de ter amizade no lugar de reduzi-los à mesma loucura do amor?

Junto com os sexistas, abomino os esteriótipos e toda forma de imposição de um pensamento convencional social. Não existe um homem submisso? Não existe uma mulher autoritária? Um homossexual não pode ter moral? Um criminoso não possui dignidade? É tudo uma questão de opção? É tudo uma questão de determinação? É-me repugnante todo estigma social.

Não consigo dizer, como Voltaire, "Posso não concordar com o que dizes mas defenderei até a morte que tenhas o direito de dize-lo", porque até mesmo a expressão do pensamento pode ser uma forma de violência ao próximo. Portanto, haveriam regras de pensamento que seja absolutas? Eu creio que há. Nem tudo é relativo. Ainda que não seja absoluto o conceito de "violência ao próximo", quase sempre posso assumi-lo como um valor acima dos demais nas regras de convivência social. Quase poderia concordar com Clarice Lispector quando ela pede: "Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então", se não houve pessoas com quem eu me importasse. Não concordarei com ninguém hoje!

Caro, Nietzsche, lamento por não terdes conhecido as mulheres com quem me envolvi e outras tantas que cultivo admiração e amizade. Melhores que eu em muitos aspectos. Femininas, guerreiras, tresloucadas... e, ao mesmo tempo, meu baluarte.

quinta-feira, março 05, 2009

Regrado

Passar sete dias sem almoçar e viajar 1.650 km de carro em três dias definitivamente não faz bem à saúde, mas ensinaram-me que não fui talhado para ser caminhoneiro.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Deadline

O melhor do "prazo" (além de inibir o sono e o apetite) é que te faz realizar em 24h o que não se fez em uma semana.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Adrenalina

...por isso, a afirmação de Borges faz todo o sentido. Um conjunto de más ações vão, em algum momento no tempo, causar um bem, se já não foram, elas mesmas, consequência de uma ou mais ações aparentemente positivas. Eu sei que você é espírita e não estou querendo implicar com a sua religião, mas, suponto que existam imortais, tempo não é problema – a não ser que a Terra exploda ou venha uma Era do Gelo –, certo? Então... veja a Lei Maria da Penha – que para mim é questionável, mas para você é excelente – é resultado de uma infinidade de más ações no passado. Não se pode questionar que ela é boa em muitos aspectos, mas mesmo nesses aspectos, o que me garante que ela não vai acabar sendo usada como o CDC, que a princípio era excelente e hoje é usado por muitos consumidores como máquina do dano moral? Como estava dizendo, esse ciclo de bem, que gera o mal, que gera o bem, que gera o mal é infinito. Não tem fim. Do ponto de vista humano, estamos sempre ligados a essa dicotomia que, segundo Borges, acabaria por anular o sentimento de piedade, e, principalmente, o valor de bem e mal. Eu acho que, nesse caso, ele viajou. Mas, tudo bem, respeito a sua religião e a loucura dele. Afinal de contas, louco por louco tem o vampiro Lestat, que sempre achou que a vida era aqui, e viu o que aconteceu com ele depois que se deu conta que estava errado. Por falar em loucura, A História da Loucura, de Foucault, está em promoção. Depois de ler, você pode se perguntar se em algum momento histórico, ou atual, seu bilhete à Nau dos Loucos não estaria garantido e, talvez, até questionar se sua sorte é boa ou má por estar aqui, fora do internamento, tendo em mente o que Borges disse...


Não sei o que é pior: se o abismal contrate entre a radiante excitação de quem fala e a funesta inércia de quem ouve; ou a expressão de absoluta incompreensão do pensamento alheio; ou a refinadíssima capacidade de deixar a pessoa profundamente constrangida, sem graça, com a sensação que de ter sido, no mínimo, inconveniente.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Some people just don’t have any luck

Confesso que fui apresentado a Woody Allen cedo demais e, por isso, sou meio traumatizado com seus filmes, principalmente se envolver um peito gigante destruindo a cidade. Mas como sou brasileiro e não desisto nunca, aceitei a recomendação de uma amiga: experimentar Woody Allen temperado com Scarlett Johansson. A pedida é levemente picante e com um aftertaste ligeiramente amargo e, como todos os filmes de Allen, é servida crua. Se você odeia spoiler e não assistiu Match Point (2005), convido-o a parar imediatamente a leitura, retirar-se da sala, ir numa locadora, pegar o filme, comprar pipocas e, depois de cumprir essa maratona, voltar daqui a 124 minutos.

Citada quatorze vezes e aparecendo em dezoito cenas, a grande personagem dessa história é a sorte. Sobre ela o autor discursa e usa os demais personagens humanos meramente como exemplos vivos. A hipótese levantada pelo protagonista é bem clara: sorte é o maior valor que se pode aspirar, não a bondade e, com sua licença, incluo a justiça, a nobreza e qualquer outro sublime valor moral. Com isso em mente, o protagonista é apresentado como um farsante inteligente e com muita sorte. Poderia até apostar que se eu estivesse em Londres, em 2005, na saída de alguma sala de cinema, teria escutado, com todo sotaque britânico, o tradicional "that (bloody) lucky bastard" em nove de cada dez referências feitas ao personagem de Jonathan Rhys Meyers, Chris.

Na minha humilde visão, desde o começo, ele queria dar o golpe do baú. Aculturou-se como pôde, trabalhou no local correto, fez amizades com as pessoas certas etc, sempre com a sorte fazendo-se muito presente em cada uma dessas ações e escolhas. A sorte fê-lo arrumar o aluno certo, que tinha uma irmã solteira e carente. Ele teve sagacidade no modo (ou sorte na escolha do modo?) de como tratar a família para cativá-la, porém, nem mesmo dado uma série de mancadas envolvendo-se com Nola, a sorte o abandonou, ao contrário, nunca era pego em nenhum de seus deslizes.

Nola, por outro lado, era a tipificação da garota sem sorte. Uma mulher extraordinariamente linda que não consegue, em absoluto, nenhum papel como atriz, nem mesmo um onde só a beleza bastaria?! É até surreal apresentar uma situação como aquela, mas Woody Allen é surreal, só por isso deixo passar. Particularmente, prefiro não considerar como falta de sorte a gravidez e o fato de se envolver com um cara como o Chris, porque acho que é bom diferenciar burrice de falta de sorte. Todavia, acho que talvez Allen pense diferente, fazendo coro com a multidão que diz nessas horas: "uma garota tão boa, mas não tem sorte com os homens". Entretanto, longe estou de acusá-la de plantar a própria morte. Numa relação onde não existia agressividade, quem poderia imaginar que dela surgisse um homicídio por um motivo tão vil? Ainda mais quando não havia chantagem concreta — eram apenas brigas e chiliques — e quando a amante era incrivelmente submissa. Impossível não sentir muita pena da personagem, ainda que se conte em desfavor a única traição enquanto noiva e a completa cegueira ao ser amante. Foi azarada até a morte.

Então, nos minutos finais do filme, você vê o arremesso do anel, tal como uma bola de tênis, quicando na proteção e caindo no lado de quem o arremessou, repousando na mureta. Você arregala os olhos, aponta o indicador na tela e pensa, ou grita, conforme o entusiasmo da hora: "Arrá! Finalmente a sorte abandonou o canalha!". E imediatamente tem uma pequena crise moral, visto que ao punir Chris, a tonta personagem de Emily Mortimer, Chloe, e seu nascituro também sofreriam. Por outro lado, cerrarão os olhos da justiça para Nola e seu feto? Antes que você consiga resolver esse seu drama moral, a sorte se mostra, naquele evento de aparente derrota, ainda mais fiel to that bloody lucky bastard!

O filme é cruel. Tenta ensinar que a sorte pode ser absurdamente injusta e plena. Sinceramente, prefiro uma outra visão sobre a sorte. Prefiro pensar que quanto mais estudo/trabalho/treino/(insira aqui qualquer outro verbo que dê ideia de empenho pessoal), mais sorte tenho. Ao menos eu fico um pouco iludido com o pensamento que alguma coisa ao meu redor depende de mim para acontecer.


Publiquei esse texto no Mosaicum.org, um blog colaborativo sobre tudo, menos informática.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Planilha

Pondo na ponta do lápis, motivos não faltam para ficar apertado nos próximos dias:
– Dois IPTUs para pagar, cota única, com 20% de desconto;
– IPVA e seguro do carro;
– Matrícula, uniforme e material escolar dos guris;
– A fatura salgada das parcelas dos cartões que incluem desde os biquínis para a patroa à presentes para toda a família;
– Academia, Natação e, se sobrar, Dança de Salão.

O Décimo-Terceiro deveria ser dado em 15 de Janeiro.

...e já vem chegando abril com o IRPF...