Abuso
Parece brincadeira. Nunca pensei que aconteceria comigo: estou com abuso de computador. Só consigo usá-lo quase exclusivamente para o trabalho. Será que estou virando uma pessoa normal?
καλειδοσκόπιο
Parece brincadeira. Nunca pensei que aconteceria comigo: estou com abuso de computador. Só consigo usá-lo quase exclusivamente para o trabalho. Será que estou virando uma pessoa normal?
É com muito pesar que comunico a morte do meu Palm Tungsten E2, um dos melhores gadgets que tive até hoje. E, com ele, foi-se boa parte da minha liberdade e alguns aplicativos insubstituíveis: SuLite One e Space War.
Certamente um dia triste.
Faço minhas as palavras de um colega de trabalho: "Brasília é um lugar bom pra se morar, se tiver muito dinheiro. Assim como a maioria dos lugares do planeta Terra."
Quando eu tiver muito dinheiro, espero achar aqui bom. Tem alguma mulher rica e carente por aí?
Antes do DF acordar meu trabalho começa, antes do fim da noite, mas, ainda antes mim, as tormentas diárias lavam sem sossego essa terra.
Brasília sem carro é um tormento para qualquer um.
Mas o que mais me atormenta é a falta do mar.
Na sua extrema educação, as pessoas ao meu redor continuam tão fechadas quanto as nuvens acima.
O primeiro dia de trabalho do ano começou com a seguinte manchete: "Hábito nacional – Quase 70% dos internautas brasileiros compartilham conteúdo" (Teletime News, segunda-feira, 4 de janeiro de 2010). Descontados os excessos jornalísticos da minha leitura diária obrigatória e sem tocar num assunto muito mais delicado, as restrições ao direito de compartilhar, é um texto que traz alguma reflexão.
A notícia trata do compartilhamento de forma bastante genérica. Junta compartilhamento de fotos, áudio e vídeo num mesmo bolo: "arquivos". Ampliando, finalmente, para algo ainda mais genérico: "conteúdo on-line".
Acredito que as razões pelas quais uma pessoa compartilha uma foto são completamente diferentes do compartilhamento de um arquivo de áudio ou de vídeo, salvo se tratar de uma gravação pessoal, um vídeo familiar. Ainda assim, percebo que pode existir, naturalmente, um intuito diferente. Sem mencionar no papel social que cada meio desempenha: Orkut, MSN e e-mails (apenas para citar os canais mencionados na pesquisa).
Existe relação entre a pobreza e o compartilhamento? Certamente. Todavia, acredito que o compartilhamento é reflexo da solidariedade que é comum entre pessoas que vivenciam a necessidade, ainda que o sentimento de solidariedade, em si, não se restrinja a poder aquisitivo. Creio que é neste ponto onde a notícia comete o maior pecado. Dentre as culturas regionais que conheço, não consigo ver um povo mais acolhedor, mais solidário, mais hospitaleiro, que não teme em abrir a casa e a vida do que o nordestino. É muito mais uma questão cultural do que econômica o resultado obtido na pesquisa.
Outro dia, conversando com uma colega de trabalho, ela estava compartilhando de uma dificuldade dela: viajarão ela e a filha e não retornarão no dia que chegará o material escolar da filha, só virão no final de semana e a filha estará sem material e sem uniforme no primeiro dia de aula. Perguntei se ela não poderia pedir a uma amiga para fazer a compra e ela me olhou como quem estava falando um absurdo. Daí, complementei: tenho uma dezena de amigos que fariam isso, tranquilamente, por mim. Uma pena que todos estão a mais de 2 mil quilômetros daqui.
Chegou às 7:09 da manhã no trabalho. Antes dele, já tinham chegado outros dois: o primeiro às 6:30 e o outro às 6:50. Outros chegaram depois. Era o último dia do ano. Cada um cumpriria sua jornada de quatro horas e partiria para aproveitar as últimas horas do ano.
Finalizou um ofício para a gerente-geral substituta; reimprimiu o ofício, porque o prazo para resposta estava pequeno; tomou o café e o chá que o garçom trouxera; procurou um AR que poderia ter extraviado em duas gerências; conversou com o protocolo na esperança que eles tivessem o controle da correspondência; atualizou a planilha de progresso dos processos de fiscalização; tomou mais uma xícara de chá e um copo d'água; agradeceu o serviço e recebeu os cumprimentos do garçom que também partia para seu réveillon; despediu-se dos colegas que tinham chegado primeiro e já estavam de saída; anotou as pendências de cada processo, quando sua gerente o interrompeu: "O que é que você está fazendo aqui, menino? Já deu sua hora! Querem que pensem que eu sou uma gerente exploradora, é?".
Nem se deu conta da hora. Também não estava tão empolgado para sair do trabalho. O que era o hotel, quando se queria estar a 2.250km a leste dali? A despeito disso, estava bem. Havia uma expectativa. A dois passos do paraíso, como diria Evandro.
Quando era pequeno, dizia que odiava suco de ameixa. Meu pai me forçou a experimentar e, na hora, disse que era horrível, mas se tornou um dos meus sucos preferidos.
Um tempo atrás, uma namorada me disse: ou você aprende a dançar forró ou a gente termina o namoro. Besta e apaixonado, comecei a aprender a dançar. Dizia que só estava fazendo aquele sacrifício por ela, porque, mais entrevado do que eu, impossível. Contudo, a dança se tornou algo tão legal que hoje faço dança de salão e frequento bailes regularmente.
Esporte sempre foi algo que nunca mereceu qualquer compromisso de minha parte. Entretanto, meu ortopedista disse que eu estava obrigado, o resto dos meus dias na terra, a fazer natação. Lamentei amargamente, claro. Pouco tempo depois, já estava nadando sempre que possível, preferencialmente no mar, no mínimo, 1km.
Na natação, meu professor disse que meu tempo com ele estava com os dias contados e que ele já tinha conversado com a técnica da equipe de competição do estado e era pra lá que eu deveria ir. Eu argumentei que odiava competir e que não tinha espírito competitivo. Agora que terminou o Campeonato Brasileiro de Masters de Natação, a equipe e eu, já estamos super-empolgados para participar do próximo e para ganhar mais medalhas.
Quando estava na faculdade, e mesmo depois de formado, sempre disse que nunca seria advogado, que não tinha jeito para a profissão, etc. É... Pois é... Pura ironia, não?
Só peço a você, meu caro e estimado amigo, por favor, não me obrigue a fazer absolutamente nada que você já sabe que vou odiar, certo?
Amiga, perdoe minha masculinidade.
Amo cada hora que passo contigo, a troca de confidências, as caminhadas na areia, a contemplação do céu, o nascimento da lua, a leveza com que danças comigo. Fico ansioso para te contar as as novidades e as bobagens. Divirto-me com as suas histórias, com as suas fantasias, com seus desmantelos e confusões. Considero que és o tipo de pessoa que é companheira para a vida toda. Mulher que é dádiva para o homem.
Mas (sempre tem um "mas") não sinto o mesmo que sentes por mim. Não me entenda mal. Eu queria sentir, mas sou escravo da minha masculinidade, dos meus olhos, para ser específico.
Hoje entendo o conflito de Brás Cubas. És minha Eugênia. Meus olhos não veem a beleza que tens. Proíbem-me de desejar-te.
Caleidoscópio: do Gr. kalós, belo + eîdos, forma + skop, r. de skopein, olhar; Kaleidoskopio (καλειδοσκόπιο), em Grego moderno.
Fontes: Priberam Informática e Kypros ΛΕΞΙΚΌ (Lexicon).
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